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Crítica Especial do Filme "MARIA ANTONIETA"   
por Rodolfo Lima - Jornalista, ator e crítico de cinema -
e-mail: dicaspravaler@yahoo.com.br
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MARIA ANTONIETA  -  (Foto Divulgação)

CRÍTICA - MARIA ANTONIETA -  Em 1.999, Sofia Coppola, entrou para o rol das cineastas promissoras com a história de cinco irmãs que se matam. O instigante e belo “As Virgens Suicidas”, se passava na década de 70 e focava na questão feminina. Ora mirando sua lente para as garotas, ora para a mãe, uma ótima Kathleen Turner.
Três anos depois, Sofia, só precisou de um comediante (Bill Murray – em seu primeiro papel dramático) e uma cidade caótica – no caso o Japão – para retratar o mundo vazio e frustrante de uma jovem entediada (Scarlett Johanson), que vagava num hotel luxuoso, enquanto o marido fotógrafo trabalhava; Para ser agraciada com o Oscar de melhor roteiro por Encontros e Desencontros.
Outros Três anos, foram o período que Sofia teve para dar corpo a “sua” Maria Antonieta - rainha francesa do império Austríaco no século XVIII - embora tenha lido a biografia escrita por Antonia Fraser, logo após filmar seu primeiro longa. Kirsten Dunst não mudou muito fisicamente, mas em seis anos, passou da garota lasciva que foi largada pelo namorado num campo de futebol, e se tornou a garota obrigada a amadurecer num casamento infeliz e sem amor. O campo de futebol foi trocado pela cama da realeza.
São duas horas de filmes, onde vemos uma rainha deslocada do ambiente em que vive. O “não lugar” é tema freqüente na filmografia da filha do cineasta Francis Ford Copolla, e tem em Maria Antonieta os excessos que – para alguns – driblou em Encontros e Desencontros: longas cenas onde nada aparentemente acontecia. Para quem o achou lento, se prepare! Se não fosse a riqueza dos figurinos e do cenário – o próprio castelo de Versalhes - provavelmente não agüentaríamos até o final.
Que fim levou M° Antonieta é uma pergunta sem resposta. O filme não tem a intenção didática de contar uma história e muito menos se ater a diálogos reais. Com um som pop, que inclui The Cure e White Stripes, Sofia não julga sua personagem e nos propicia uma viagem pelo universo de reis e rainhas, assim como fez Stephen Freas no recente A Rainha (The Queen). As últimas cenas de Antonieta em seu castelo são singelas, poéticas e sublimes. Prova de que Sofia sabe lidar com a sutileza, mesmo em momentos difíceis. Para quem viu As Virgens Suicidas, sabe bem o que eu digo.
O que o filme vai fazer com você é instigar a sua imaginação. Saímos do cinema tentados a saber quem foi a mulher decapitada aos 36 anos de idade, graças a queda da bastilha, durante a Revolução Francesa. Uma nota informativa não faria mal a ninguém. Mas Sofia não quer esclarecer, quer apenas retratar e provocar, com seu singular olhar para o feminino. E em M° Antonieta, temas como, casamento frustrado, monarquia, amores proibidos, obrigações femininas e aceitações, fazem parte do universo idílico de Sofia.
Se o filme fosse mais curto, o prazer seria maior. Tem se a impressão que o filme se arrasta além do necessário. As cenas em que se retrata a rainha, famosa por sua fama de “festeira” e por gastar descontroladamente em mesas de jogos é o momento mais esperado do filme. Queremos a provocação, o deboche, o escárnio. Tais características passam longe do mundo de Sofia, que recusa as facilidades dos clichês. E tais cenas podem frustrar os mais afoitos.
Em dado momento sentimos a necessidade de vaiar o filme, assim como ocorreu no Festival de Cannes. Tudo por causa da nossa expectativa frustrada e o (s) condicionamento(s) focado nos costumeiros clímax.
Adentre o mundo da última rainha da França e saia da rotina. Sofia Coppolla é daquelas cineastas que dividem opiniões. Você compartilha do olhar de Sofia?

Título Original: Marie Antoinette
Gênero: Drama
Duração: 123 min.
Ano: EUA/Japão/França - 2006
Distribuição: Columbia Pictures / Sony Pictures Entertainment
Direção e Roteiro: Sofia Coppola
Produção: Sofia Coppola e Ross Katz
Site Oficial: www.marieantoinette-movie.com


Cena do filme MARIA ANTONIETA - Foto Divulgação.

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Crítico: Rodolfo Lima - Jornalista, ator e crítico de cinema - e-mail: dicaspravaler@yahoo.com.br

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