ENTREVISTA COM O ESCRITOR ALBARUS ANDREOS

O Editor do Portal Cranik "Ademir Pascale"  entrevista o escritor Albarus Andreos.
 (25/10/09)

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Albarus Andreos - Foto Divulgação

ENTREVISTA:

Ademir Pascale: Para iniciarmos nossa entrevista, gostaria de saber como foi o início da carreira de Albarus Andreos como escritor.

Albarus Andreos: Bem... Para falar a verdade, acho que ela se inicia agora, com a publicação de A Fome de Íbus – Livro do Dentes-de-Sabre, por uma editora brasileira. E o início está sendo ótimo! Para mim é difícil falar como “escritor”. Na verdade, não me sinto escritor: não uso roupas moderninhas, barba por fazer, não tenho olhar vago e intelectualizado, escovo os dentes, não bebo destilados como água, não fumo charutos ou cachimbo, nem sou viciado em haxixe ou tenho as unhas amareladas por segurar um eterno cigarro entre os dedos; nunca pensei em me suicidar, não participo de saraus, não tenho amigos chatos ou sou convidado para eventos fechados cheios de gente esnobe, intelectualizada e modelos burras e siliconadas (confesso que dessa parte eu me queixo, um pouco), onde se discutem hipóteses sobre a literatura nacional e se fala, a boca-pequena, dos ciúmes e dores-de-cotovelo dos outros autores e seus livros pobres e sem conteúdo... Ufa! Afora a descrição beatnik de um escritor outsider, acima, sempre escrevi algumas coisas aqui e ali, mas a partir de que ponto comecei a achar que valia a pena investir no epíteto de escritor... acho que foi quando vi que escrever não era fonte de inspiração divina ou dos conselhos de alguma musa grega, vinda do mundo do além. Escrever é fruto de trabalho, trabalho e mais trabalho. É escrever o texto, guardá-lo numa gaveta, apanhá-lo depois de um ou dois meses, após já ter me esquecido dele, e então retirar todos os absurdos que eu mesmo havia posto lá “sem querer” (pontuação, períodos longos demais, frases inúteis, palavras inadequadas, adjetivação excessiva etc) e acrescentar outras frases, parágrafos e pontuação que eu, inexplicavelmente, não consigo evitar de achar que “acrescentam algo” ao texto. Ajeitar as metáforas, reconstruir as parábolas, repensar as divagações... Posso dizer então, mais precisamente, que sou escritor há uns... quatro ou cinco anos... acho, depois de ter escrito alguns textos “Literários” (assim, com L maiúsculo, mesmo), para o Leia Livro, um projeto da Secretária de Estado da Cultura, do governo de São Paulo. Iniciativa louvável que inexplicavelmente foi retirado do ar por essa tal gente esnobe e com pretensões políticas à tiracolo (se alguém souber por quê mataram o Leia Livro me avisem, por favor). Com as devidas desculpas aos que não concordam, isso de L maiúsculo é só para conceder algum reconhecimento àqueles que dividem a literatura em “Alta Literatura” (aquela de Austen, Dickens, Dostoiévski, Hemingway, Conrad, Proust, Tchekhov, Joyce, Machado, Guimarães Rosa, Borges, García Márques, etc) e Literatura Popular (onde reinam Conan Doyle, Stoker, Lovecraft, Le Guin, Howard, King, Howling etc). Não digo que concordo com isso, mas que entendo que essa divisão existe. Gosto das duas e cometo meus textos nas duas searas, ao ponto que só posso dizer que gosto simplesmente de literatura (sem sobrenome). Não sou um dos que dividem, sou dos que unem.

Ademir Pascale: Quais são as suas principais influências e inspirações para compor os seus textos?

Albarus Andreos: As fábulas infantis, a mitologia grega/ romana/ nórdica, os gibis de super-heróis da Marvel, os folhetos da missa, filmes de ação americanos, seriados de monstros japoneses, vídeogames como Diablo e Warcraft, Joseph Conrad, Anne Rice, Bernard Cornwel, Suzanna Clarke, Tolkien... por aí.

Ademir Pascale: Como foi a receptividade dos leitores com o seu livro Dentes-de-Sabre (lulu.com)?

Albarus Andreos: Foi pequena, mas intensa. Vendi muito poucos livros pela Lulu. E acho que era pelo fato de que, se você quisesse comprar o livro, deveria ser tão aficionado por literatura de fantasia que iria se enfronhar na web a ponto de achar um cara brasileiro, escrevendo em português num site de livros americano, que seriam impressos em lugares como EUA, Espanha ou Suécia. Deveria, ainda, ler bem em inglês (para decifrar os passos certos para comprar o livro), ter um cartão de crédito internacional e esperar mais de um mês, em média, para o livro chegar na sua casa, custando o dobro de um livro comprado numa livraria aí, na sua cidade (se considerarmos que um livro já é um troço caro, imagina ainda pagando em dólar). Acontece que no site da Livraria Cultura, certo dia vi o livro, na seção de importados (olha só! Se você quisesse comprar o livro pela Cultura, teria que digitar o nome dele na seção de livros importados, senão dava “livro não encontrado”), e tinha lá duas críticas, feitas por leitores que nunca vira na vida. Elas elogiavam o livro; uma era um elogio moderado, mas me dava cinco estelinhas, e outra era um elogio rasgado, com cinco estelinhas também! Fora isso, na bienal do livro de São Paulo, em 2008, conheci o escritor J. Modesto, e ele, ao saber quem eu era, veio me dizer que tinha comprado meu livro!! O Ednei, da Giz, meu editor, pediu então que eu mandasse o livro para eles darem uma olhadinha (ele já me conhecia da época em que fiz a via sacra de todo escritor, de mandar os originais para todas as editoras e sequer receber de algumas a famosa cartinha padrão de “obrigado por nos mandar sua obra, mas infelizmente, ela não se encaixa em nossa linha editorial etc etc, (mesmo quando, obviamente, se encaixava!)). Fora isso, tive o prazer de ver meu livro na Amazon, na Barnes&Noble, na Borders etc.

Ademir Pascale: Por favor, fale sobre o seu recente livro Fome de Íbus (Giz Editorial), onde os leitores poderão comprá-lo, etc.

Albarus Andreos: O livro é o mesmo publicado na Lulu.com, mas com uma reedição de cabo-a-rabo, feita por mim. Está disponível nas Livrarias Cultura e Saraiva, dentre outras. Pela net ou nas lojas físicas. Se quiser um exemplar autografado, é só me escrever um e-mail que posso enviá-lo pelo correio, se concordar em arcar com o frete.
É uma bela aventura, narrada num ambiente fantástico, repleto de magia, onde, há muito tempo, “numa época em que as grandes montanhas Malatosas ainda se erguiam no mundo, numa das poucas vezes em que anões estiveram ao lado de elfos, empunhando suas armas contra um inimigo comum, surgiu um grande guerreiro bárbaro conhecido como o Dentes-de-Sabre; que retornou, depois de muitos invernos, das guerras em que se engalfinharam homens e povos da escuridão, no Norte”.
“Seu braço ostentava o aço dos clãs e em seu peito havia um espaço deixado pelo coração selvagem ancestral. Foi à procura do antigo sentido de sua vida que voltou para sua terra natal, o Norte, de poucas cores. Trouxe com ele um presente a um amigo, seu mentor, mas sem que imaginasse, acabava por trazer consigo o início de uma desconhecida profecia. E tudo começou...”
A Fome de Íbus é o título desta saga, cujo primeiro livro se inicia com o Livro do Dentes-de-Sabre. É uma obra de ficção fantástica, com toques do gótico de Lovecraft e Poe, com o mundo de fantasia presente no Silmarillion de Tolkien, narradas com toques de Stephen King, onde batalhas épicas são narradas com a inspiração impiedosa de um Bernard Conwell. É a saga de um homem, forte por natureza, mas cujos limites são claros e evidentes quanto ao mundo além das fronteiras do Norte gelado, onde seu povo vivia em quase isolamento.
É a história de um homem que desobedece às leis de seu povo e se liberta de seus próprios limites para desafiar o desconhecido. Mas esta, que poderia ser a história de tantos outros livros de aventuras, é passado para Karizem.
O livro se inicia exatamente no ponto em que o bárbaro de Ith já fez sua escolha, foi ao mundo e venceu. O livro do Dentes-de-Sabre, relata o retorno deste homem, de muitos tesouros e glórias, ao povo que amava, que ainda residia no passado das tradições tribais. É a história de um homem que teve o braço erguido em batalha, segurando o cabo de uma espada, mas que não pode fazer o mesmo contra os olhares cheios de consternação de seu próprio povo, que o recrimina. Karizem dos Bittur já não é mais um deles. Aos olhos do povo de Ith, Karizem abandonou sua terra quando deixou a tundra do norte. Desobedeceu as regras, e deve pagar por isso.
Este primeiro livro da saga é, em parte, a história que relata as dificuldades de um homem confuso que decidiu dar um passo atrás, que foi ao mundo e depois viu que o que poderia ser o desejo do jovem, não lhe preencheu a alma como imaginava. É o amadurecimento de um rapaz que se torna homem ao custo de muita dor. E o passo atrás, além de se mostrar difícil, pode se mostrar impossível.
Por outro lado, é uma aventura sombria e misteriosa. Alguém o espreitava das sombras e, quer quisesse ou não, teria que seguir o caminho para ele traçado pelas brumas do arcano mágico. As respostas não vêm das runas, e não se encontram próximas a ele, e um longo caminho deveria ser seguido nessa busca inevitável. Seria o passo atrás, nada mais que um novo passo além?
Ith, sua cidade natal, não o quer e ele não se acostuma mais a ser mal-querido. Seu coração endureceu, não há mais lágrimas em seu peito, e seu orgulho é o de um conquistador de povos, aguerrido, cujo grito de combate é reconhecido pelos abutres em banqueteante revoada. O mundo o espera de volta, de mandíbulas abertas, salivando baba viscosa e cheia de fome. A profecia o aguarda... e outros vão com ele, desta vez.
Acompanhado, inicialmente, do velho mentor (um mago misterioso e cheio de sabedoria cujo poder arcano fora sufocado e quase perdido) e um novo jovem guerreiro, filho de um dos outros clãs do Norte, que misteriosamente possuía algumas das respostas ao enigma a que Karizem teria de desvendar, acaba por encontrar outros seres que seriam as peças fundamentais no desenrolar dos fatos: um anão misterioso que, secretamente, é o enviado de forças poderosas dentre as antigas montanhas do mundo; um elfo que revela-se o portador de um passado obscuro onde velhas armas mágicas voltam do esquecimento; e finalmente um mendigo errante, um cavaleiro de uma ordem sagrada que traz em si o real poder da escuridão, interessando-se, acima de tudo, em usar o guerreiro bárbaro, conhecido como Dentes-de-Sabre, pra seus próprios interesses.
Em, A Fome de Íbus – Livro do Dentes-de-Sabre, temos uma história de aventura, detalhada e bem estruturada, recheada de paisagens maravilhosas de um mundo frio, coberto pelo manto de gelo do Norte. Possui descrições precisas e personagens redondos, cheios de individualidade, compondo, às vezes, clichês desejados e sempre bem dosados, atendendo aos gostos do leitor exigente e saudoso de antigas sagas. Feito para jovens e adultos, que serão certamente apreciados, por exemplo, pelos aficionados por Harry Potter, de J. K. Rowling (principalmente nos dois últimos volumes, quando a saga do bruxinho inglês torna-se mais soturna) ou pela série Crepúsculo, de Stephenie Meyer (mas, ao invés de uma história de vampiros, teremos, talvez, uma de caçadores de vampiros. Aliás, o que Karizem caça é bem pior!).
No livro, as coisas não correm como o planejado para o grupo liderado por Karizem, ao deixar Ith e seu povo. Surgem as garras dos vampiros Cursaks, que se interpõe no caminho dos aventureiros (com resultados talvez fatais para alguns), e apesar de todos os motivos que deveriam mantê-los afastados, devem então seguir para a cidadela amaldiçoada de Tull Saitanes, onde os maiores bruxos necromantes do mundo espreitam, à procura de mais poder. E aqui não há bruxos mirins bonzinhos!
Sua busca revela as pistas para os enigmas que a profecia exige como solução. Inimigos devem ser destruídos e seu destino leva ao encontro ao verdadeiro mal que assola os tempos sombrios em que vivem. Cada um tem seu papel a desempenhar na esfera de existência em que se encontram, manipulados pelas mais poderosas forças arcanas: A Fome de Íbus, que a tudo destrói e tudo traga para si própria.

Ademir Pascale: Quais foram as suas impressões sobre o lançamento deste livro na XIV Bienal do Livro no Rio de Janeiro?

Albarus Andreos: Foi muito legal, Ademir. Diferentemente de fazer um lançamento em sua cidade natal, com as amigas da sua mãe comprando os livros só para agradá-la, fazer o lançamento num evento grande como a Bienal do Rio de Janeiro dá a chance ao autor de falar com leitores de verdade, que gostam de fantasia e literatura fantástica, e que, talvez, já tenham lido algo seu e estão lá para comprar seu livro por já terem contraído o seu vírus literário... Você tem que falar sobre o livro, tem que contar um pouco da história e tem a chance de vender seu peixe. Cada um daqueles inseguros e potenciais compradores avalia cada palavra sua, para ver se o dinheiro que vão investir num livro novo, vale a pena. Pude estar frente a frente com os olhos de meninos e de seus pais, medindo a possibilidade de levar o livro, se ele poderia ser uma boa escolha ou não, comparando com outros disponíveis, de autores mais consagrados no cenário nacional (sem falar nos stands muito mais chamativos e apinhados de compradores, como os de editoras grandes com seus best sellers de autores convidados). Aí então o pai pergunta para o filho se ele gostou, se quer o livro, se não prefere outro, e o moleque diz “Gostei pai, quero levá-lo!”. Aí você saca sua caneta Made in China de R$ 7,00, mas que parece uma de R$ 300,00 e autografa o livro... É muito bom! Isso, de alguma forma, parece alavancar sua credibilidade, pois comecei a ser chamado para eventos, como a 56ª Semana Cultural Gustavo Teixeira, aqui de São Pedro, para dar palestras em faculdades, saraus, etc. (acho que já estou pensando em deixar a barba crescer um pouco, e começar a fumar, para ver se fico com um hálito podre e os dedos amarelados... brincadeira!!)

Ademir Pascale: Na sua opinião, como anda o mercado editorial brasileiro para os novos autores? Está mais fácil publicar ou tudo continua na mesmice?

Albarus Andreos: Está mais fácil, sim. Pode não parecer, mas estas coletâneas que andam espocando por aí, que nem pipoca, nada mais refletem que a demanda por literatura fantástica de qualidade. Numa coletânea é possível ver bons textos e outros nem tanto. Comprar um livrão de 400 páginas de um autor só, exige pelo menos uns R$ 50,00 e a coletânea, muitas vezes, permite que o leitor conheça, já de antemão, um autor específico. Ele, por algumas linhas apenas, pode conquistar seu leitor, que comprará então um livro solo, onde pode desenvolver um texto com maior extensão. Embora nem todo bom contista seja um bom novelista, é possível ver a técnica do autor em manipular os conceitos do gênero num conto de três páginas. Aí, o boca a boca faz o resto. Quanto às editoras, nota zero para a maioria delas! Falo principalmente das grandes, que não estão nem aí para os escritores nacionais e investem pesado em escritores estrangeiros. Nada contra os bons, mas o que tem de livro porcaria espocando por editores mercenários, por aí, Deus me livre! Não sou um xiita que defende o autor nacional só por ele ser brasileiro, não! Como disse, nas coletâneas dá pra ver que muitos não se aproveitam. Tem autor que deveria investir mais em livros, em sua formação como leitor, e ler bastante antes de bancar uma edição própria (o que não é vergonha nenhuma!!!). Fora isso, têm os blogs, a net com seu diversos sites de literatura. É um bom começo e eu comecei por aí, também. Não custa nada e já dá para receber algumas críticas e opiniões de quem escreve há mais tempo e sempre dá uma passadinha para conferir coisas novas. Eu recomendo veementemente que se escreva para a net primeiro, antes de se aventurar pela literatura impressa! Mas não acho que a net só, já basta. Esta pode formar blogueiros, mas não escritores.

Ademir Pascale: Quais dicas daria para os autores em início de carreira?

Albarus Andreos: Que leiam muito, principalmente os clássicos! Não... Guarde a faca, por favor! Vou explicar. Se você gosta de ler fantasia, horror e FC, ótimo, tudo bem. Não tenho absolutamente nada contra isso, mas a pergunta foi sobre as dicas que daria para os autores em início de carreira, certo? O negócio aqui é escrever! Então, há de se dividir o leitor, do escritor. Como escritor, a paixão é a escrita, se bem que ela está intrinsecamente ligada à leitura, com certeza! Quando a paixão se foca em escrever, o ponto é: escrever melhor, sempre, continuamente, consistentemente! Para se escrever melhor, pode-se contar “nos dedos” as obras de ficção fantástica que podem ser classificadas como bons textos. Por maior que seja minha antipatia daqueles pedantes de nariz erguido, que desdenham a ficção fantástica, tenho que admitir isso. Ser um cabeça dura que não enxerga os fatos, não ajuda ninguém que quer ser escritor (você não pode dizer: “Ah! Mas eu quero ser um escritor de horror, por que iria “perder meu tempo” lendo Madame Bovary, de Flaubert?” Meu filho, ou você é um escritor, ou não é! Não existe “escritor de horror, ou escritor de fantasia... Existe sim, escritor que escreve horror, escritor que escreve fantasia...). Temos aí, umas centenas de exemplos, ao passo que os clássicos estão aos milhares! Questão de qualidade? Não senhor... Questão de disponibilidade! Textos clássicos se escrevem há uns bons trezentos anos (não vamos nos estender aos Clássicos de verdade, certo? (os gregos, persas etc.). Falo da literatura com o tal L maiúsculo, sim). Embora minha preferência de leitura esteja na seara da ficção fantástica (como possivelmente acontece com você, leitor, também), não posso olvidar de declarar que leio um Tolstoi, de vez em quando, para “desintoxicar”. É ótimo ler um Jorge amado, pelo menos uma vez por ano, para deixar um pouco os campos cobertos de cadáveres e as torres recheadas de magia negra, para contemplar o trabalho de pescadores rudes contra o vento que sopra suas jangadas para a praia, levando, uma vez ou outra, um braço caboclo para o seio de Iemanjá... Ou então acompanhar Pedrinho e o Quixote pelas paragens pedregosas da Catalunha, combatendo moinhos de vento. Abrir horizontes é essencial a um bom escritor. Num momento você tem que descrever uma topografia da Transilvânia, noutro tem que descrever os trajes de um xogum, no Japão feudal, noutro tem que saber os efeitos de um certo veneno na fisiologia humana, e em outro ainda, tem que saber o que acontece quando uma caravela de quatrocentos anos é retirada do fundo do mar (ela ainda navega ou vai se desfazer em mil pedacinhos podres, cedendo sob o próprio deslocamento d’água?). Se você não tem conhecimento de mundo, vai escrever besteiras que fogem do domínio da fantasia. Você vai perder a credibilidade por falar asnices! Vai perder leitores que sabem a diferença entre um feixe de táchions e uma descarga de pósitrons. Vai se dar mal ao dizer que os vampiros surgiram de Drácula sendo que, pelo menos um conto famoso de vampiros vem de algumas décadas antes (para não falar da própria mitologia camponesa européia, árabe, etc.), de um tal Dr. John Polidori, The Vampyre, em quem certamente Stoker se baseou ao escrever seu “clássico do terror” (sim, também temos clássicos no gênero que gostamos...). Se você não sabe do que está falando: NÃO FALE! Evite falar, pelo menos. Deixar furos, é dar espaço para críticas que corroem seu texto. O leitor vai parar de reparar no seu estilo instigante, nas suas metáforas bem construídas, no seu enredo arrebatador, para se ater aos seus erros ridículos! Talvez nem se dê ao trabalho de chegar ao final de seu livro e vai falar mal dele para todo mundo. Não falar de assuntos que insistentemente batem a sua porta, também não é uma boa tática, na verdade. Um bom leitor sai na frente de um mau escritor, e logo percebe que o cara está tergiversando, evitando tomar uma filosofia por não ter estofo intelectual e tal... Ponto negativo para o escritor, de novo (não subestime seus leitores, meu amigo). Acontece que, quanto menos você souber do mundo, menos poderá escrever. O desconhecimento de um escritor sobre os mais diferentes assuntos é a principal muralha que o impede de progredir, como profissional da arte (e, cá entre nós, dar razão aos puristas da literatura, que defendem a idéia de que o gênero fantástico é uma subliteratura porque os escritores deste gênero escrevem mal, me deixa doente!). Leiam, meus queridos! Leiam muito!

Ademir Pascale: Existem novos projetos em pauta ainda para este ano?

Albarus Andreos: Estou de mudança de endereço daqui de São Pedro – SP, para outro lugar. Emprego novo, vida nova, é o que dizem... Por isso, além de participar de eventos relacionados ao livro novo, não tenho outro projeto, de imediato, não. Lembrando que A Fome de Íbus – Livro do Dentes-de-Sabre foi lançado oficialmente na Bienal do Rio, agora em setembro último, e ainda está fervendo.

Ademir Pascale: Onde os interessados poderão saber mais sobre Albarus Andreos?

Albarus Andreos: Podem ir ao meu blog (www.albarusandreos.blogspot.com) ou visitar a página da Giz Editorial, para saber mais sobre minhas andanças pelos caminhos da literatura, junto com meu último livro. Só gostaria de pedir paciência aos leitores, pois não sou daqueles que fica neuroticamente atualizando blog, Orkut, Twiter, Facebook, respondendo e-mails etc. Não acho que ficar horas diariamente nesses meios de mídia, ajudam, realmente, o escritor. Servem sim, para fazer política, dar uma atenção ao leitor, coisa do tipo. Mas prefiro ler.

Perguntas Rápidas:

Um livro: Não sou bom nisso, mas Um livro é muito pouco... (não, não é o Senhor dos Anéis). O Silmarillion é melhor.
Um(a) autor(a): não tenho como dizer o nome de apenas um (não, sinto muito, mas Tolkien não é meu autor preferido). No meu atual momento, talvez possa salientar o de Suzanna Clarke, ou Cristina Lasaitis...
Um ator ou atriz: Kate Winslet (nada de Vigo Mortensen ou Orlando Bloom, só porque eles participaram dos longas de Peter Jackson. Não mesmo!)
Um filme: A Maldição da Flor Dourada, 2006. De Zhang Yimou (Oh, Deus! Existem outros, sim...)
Um dia especial: também é muito pouco... Acho que o dia em que beijei a Raquel (minha mulher) pela primeira vez (nooossa, foi fóda!)
Um desejo: manga Aden bem madurinha ou, quem sabe, virar Best seller e viver só de escrever livros, ter um iate, comer uma paniquete, sei lá...

Ademir Pascale: Agradeço pela entrevista. Desejo-lhe muito sucesso em suas empreitadas literárias.

Albarus Andreos: Obrigado, Ademir. AFDI rules! Keep in touch.

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A Fome de Íbus - Albarus Andreos

 

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*Você poderá adicionar essa entrevista em seu site, desde que insira os devidos créditos: Editor e Administrador do http://www.cranik.com : Ademir Pascale - ademir@cranik.com
Entrevistado: Albarus Andreos.
E nos informar pelo e-mail: ademir@cranik.com  

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