ENTREVISTA COM O ESCRITOR JORGE RIBEIRO

O Editor do Portal Cranik "Ademir Pascale"  entrevista o escritor Jorge Ribeiro.
 (10/11/09)

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Jorge Ribeiro - Foto Divulgação

ENTREVISTA:

Ademir Pascale: Primeiramente, agradeço por ceder a entrevista. Para iniciarmos, gostaria de saber como foi o início da carreira de Jorge Ribeiro para o meio literário?

Jorge Ribeiro: Eu também lhe agradeço pela oportunidade. Falar de literatura, um dos meus assuntos preferidos, é sempre um grande prazer para mim. Costumo dizer que estou envolvido com a literatura desde que escrevi meu primeiro poema, quando tinha quinze anos. Eu morava em Botucatu, minha cidade natal, certa noite, faltou energia e acho que a luz da vela me inspirou e eu escrevi meu primeiro trabalho, muito amado por mim, mas de pouquíssimo valor literário. A partir daí, escrevi a vida inteira; em 1998 lancei a coleção de livros didáticos Nossa Palavra e em 2008, lancei o Orto e grafia. Vieram depois as participações nas antologias Dias Contados e Metamorfose, a fúria do lobisomem.

Ademir Pascale: Como professor e autor de livros didáticos, qual é a sua opinião referente ao ensino da língua portuguesa pregado hoje em dia nas escolas públicas?

Jorge Ribeiro: Bem, a escola pública vai mal, já há muito tempo, por mais que digam o contrário, e dizem. Principalmente os governantes. Há poucas condições de se realizar um trabalho sério, digno. No entanto, ainda há ótimos professores aqui e ali. Esses salvam a escola pública porque independentemente da falta de condições materiais, falta de funcionários para limpeza, falta de inspetores e inspetoras de alunos, falta até de segurança, entre outras lacunas indesejáveis, eles, os bons professores, realizam trabalhos de dar inveja às melhores escolas da rede particular. Eu conheci muitos educadores de categoria, mestres de vocação. Por outro lado, de um modo geral, a escola pública pouco incentiva o gosto pela leitura e isso é lamentável. Há alunos que terminam o ensino médio e os únicos livros que leram, e muito mal, foram os livros didáticos.

Ademir Pascale: Você acredita que a internet possa interferir nas variações diatópicas, excluindo cada vez mais as variações fonéticas entre os estados do nosso país?

Jorge Ribeiro: Não, não acredito. Pelo menos, por enquanto. É algo que, se ocorrer, vai levar muito tempo.

Ademir Pascale: Fale mais sobre o seu livro Nossa Palavra, publicado pela editora Àtica.

Jorge Ribeiro: Na época eu lecionava em um colégio particular aqui em São Paulo e dividia as classes com Ângela Marsiglio Carvalho. Eu ensinava no sexto e sétimo anos e ela no oitavo e nono anos. Nós costumávamos programar juntos nossas aulas. Fazíamos, antecipadamente, apostilas para trabalhar durante cada um dos bimestres, discutíamos os livros para leituras extraclasse, escolhíamos textos e programávamos atividades diferenciadas. Apresentamos todo o material apostilado para a Ática e o livro acabou vindo a público. Está claro que nossa concepção inicial praticamente desapareceu; com o pretexto de atingir às exigências do mercado, o nosso trabalho foi bastante modificado e ficou muito diferente daquilo que nós esperávamos. Textos de excelente qualidade foram abolidos ou por serem extensos ou por serem muito difíceis para os professores trabalharem. Segundo diziam, muitos professores não conseguem trabalhar com poemas e têm certo medo de autores como Machado de Assis. Já pensou?

Ademir Pascale: Achei tanto o título como a ideia principal do livro Orto e Grafia muito criativa e interessante. Fale para nós como foi o início da construção desta obra e se possível, um pouco do seu enredo.

Jorge Ribeiro: Na Coleção Nossa Palavra, eu criei alguns exercícios de ortografia e nas propostas havia pequenas histórias em que as letras conversavam. O x conversava com o ch, o c com o ss e assim por diante. Esses exercícios foram bastante elogiados pelos professores que adotaram a obra. Passei então a aplicá-los em algumas salas na escola pública e as ideias foram surgindo. Eu criava as histórias e contava para minha afilhada Juliana que tinha três anos. Reuni aquelas de que ela mais gostava e apresentei ao editor Plínio Martins, da EDUSP e o livro nasceu. Quando vou a palestras nas escolas que adotam o Orto e Grafia, fico impressionado e emocionado com a capacidade que as crianças têm de embarcar no imaginário que o livro sugere. São oito contos com letras, animais e pessoas. O livro tem intenções didáticas; sensibilizar as crianças para a importância da ortografia e também despertar nelas o prazer pela leitura.

Ademir Pascale: Como as escolas, professores, alunos e outros interessados deverão proceder para adquirir o livro Orto e Grafia (COM ARTE)?

Jorge Ribeiro: Há exemplares na Livraria da Vila (fone: 11-38145811), na Cultura (fone: 11-30243599), na Martins Fontes (fone: 11-35392080) e na Paratodos (fone: 11-30978879. Em Botucatu, na Livraria Nobel (fone: 14- 38150906) e Na Francisco Alves (fone: 14-38821455). Podem também adquirir diretamente comigo. Basta escrever via e-mail e nós combinamos um jeito de o livro chegar ao interessado.

Ademir Pascale: No seu ponto de vista, porque ultimamente o brasileiro está tendo tanto interesse na leitura de contos? Fale também um pouco sobre as suas participações recentes em coletâneas.

Jorge Ribeiro: Tem havido mais publicações e maior divulgação por parte das editoras. Por outro lado a narrativa curta parece ser mais atraente nestes tempos de pressa. Tempo de Internet. Fica difícil, porém, compreender como é que multidões ficam meses e meses acompanhando determinada telenovela, com enredo nem sempre bom e final sempre feliz. Mas, voltando ao conto, ele faz sucesso desde o tempo em que pessoas se reuniam em volta da fogueira para ouvir relatos de anciãos e de xamãs. As piadas que contam por aí são espécies de microcontos que sempre fizeram avassalador sucesso, embora, as mais das vezes, focalizem preconceitos. O interesse em contos deve-se também ao fato de que têm aparecido contistas brasileiros muito bons nos últimos anos.
Quanto à participação em coletâneas eu digo que é muito bom porque, através dessas publicações, conheço novos editores e novos autores, além de divulgar meus trabalhos no meio literário. Obras ruins ou obras ótimas, se ficarem na gaveta, nada acontece com elas, não é verdade? Se você mostra seus textos pra mãe, pra namorada, quase sempre elas acham lindos, mas, quando são publicadas, é o público que vai dizer se as obras são boas ou não.

Ademir Pascale: Na sua opinião, como anda o mercado editorial brasileiro para os novos autores que desejam publicar as suas obras?

Jorge Ribeiro: O mercado quase nunca está aberto. É bom que o autor neófito vença um concurso ou apareça de alguma forma. Chegar na cara dura e apresentar um trabalho para um editor nem sempre funciona. A menos que seja um trabalho genial, mas é muito difícil publicar.

Ademir Pascale: Quais dicas daria para os autores em início de carreira?

Jorge Ribeiro: Ler. Ler. Ler. Mais do que escrever. Ler os bons e os maus escritores. Participar de oficinas literárias. Conhecer gente do meio. Inventar. Descobrir. Reler textos geniais e analisar as técnicas neles utilizadas. Não me lembro quem foi que disse: se um escritor fosse impedido de escrever e não morresse é porque ele não era escritor.

Perguntas Rápidas:

Um livro: Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.
Um (a) autor (a): O contista Marcelino Freire.
Um ator ou atriz: Anthony Quinn.
Um filme: Teorema, do Pasolini.
Um dia especial: O dia em que lancei meu livro Orto e Grafia, 7/11/2008.
Um desejo: Escrever um bom romance.

Ademir Pascale: Gostaria de finalizar com algum comentário?

Jorge Ribeiro: Não há tédio para quem gosta de fazer arte.

Contatos com o autor: jorgeantonioribeirodasilva@yahoo.com.br
 

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Orto e Grafia - Jorge Ribeiro

 

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*Você poderá adicionar essa entrevista em seu site, desde que insira os devidos créditos: Editor e Administrador do http://www.cranik.com : Ademir Pascale - ademir@cranik.com
Entrevistado: Jorge Ribeiro.
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