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"É TUDO VERDADE" 
 por Luis Pires - Jornalista e Crítico de Cinema
e-mail: lpires@uol.com.br      
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Foto Divulgação

 

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É Tudo Verdade destaca produção mundial de documentários

Fundado e dirigido pelo crítico Amir Labaki  o É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários chega forte e vitaminado à sua décima terceira edição. Se nas edições anteriores o festival se limitava ao chamado circuito alternativo, neste ano ganhou também as salas comerciais. Serão apresentados ao público 137 títulos, distribuídos nas competições brasileira e internacional, e nas seções Vidas Brasileiras, O Estado das Coisas, Foco Latino-Americano, Horizonte, Projeções Especiais, Homenagens e Round Midnight. A programação completa-se com a 8ª Conferência Internacional do Documentário, que enfocará o documentário experimental.

 

Na competição oficial, os filmes brasileiros terão destaque com sete longas e médias-metragens e 11 curtas-metragens. As produções vencedoras receberão prêmios de R$ 100 mil (melhor longa/média) e  R$ 6 mil (melhor curta), além de premiações atribuídas pelo Canal Brasil (no valor de R$ 10 mil) e pelo laboratório Megacolor (serviços de revelação de negativo e de telecinagem off line).

 

Dentre os documentários nacionais, pelo menos três merecem destaque. João, de André Siqueira e Beto Macedo, baseado na biografia de João Saldanha, polêmico comentarista esportivo, jornalista, militante comunista e técnico da seleção brasileira, demitido às vésperas da Copa de 1970. O diretor Carlos Nader concorre com Pan-Cinema Permanente, um olhar singular sobre o poeta Waly Salomão. E Simonal, de Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal, que traz detalhes inéditos sobre a ascensão e queda do mais popular cantor negro brasileiro dos anos 1960/70, Wilson Simonal, acusado de ter sido colaborador do regime militar.

 

Na competição internacional, foram selecionados um total de  15 longas/médias e nove curtas, nos quais estarão representados 19 países, sendo que oito produções foram dirigidas por mulheres, fato inédito na história do festival. Destaque para Me Abrace Forte e Me Deixe Ir, da consagrada realizadora inglesa Kim Longinotto, que venceu o BritDoc de melhor documentário britânico de 2007, abordando técnicas empregadas numa escola que recebe alunos expulsos de outros estabelecimentos de ensino por conta de seu comportamento violento.

 

Em Sete Instantes (de Diana Cardozo, México) sete mulheres que se tornaram guerrilheiras no Uruguai, integrantes das fileiras dos Tupamaros, nos anos 1960 e 1970, reavaliam suas experiências. A co-produção Holanda/Rússia dirigida por Masha Novikova, Anna, Sete Anos no Front revê personagens e locais envolvidos no assassinato da jornalista Anna Politkovskaya, a mais dura crítica da política adotada pelo governo russo na Chechênia e responsável por denúncias sobre as dificuldades sofridas pela população civil e os abusos durante a guerra naquele país.

 

Na mostra Vidas Brasileiras serão exibidos seis títulos que versam sobre a vida de personalidades como o escritor Antonio Callado, o ator Paulo Gracindo, o cineasta Joaquim Pedro de Andrade e os músicos  Caetano Veloso, Waldick Soriano e Mário Rocha.  

 

O Estado das Coisas destaca as obras de cunho histórico e jornalístico e tem entre seus destaques a pré-estréia mundial da produção israelense Bruna (de Nili Tal), que acompanhou o caso da brasileira Bruna, que em 1986, ainda bebê, foi adotada por um casal israelense e, dois anos depois, localizada por seus pais biológicos e por eles reclamada na justiça sob a alegação de ter sido seqüestrada e vendida aos pais adotivos.

 

Na mostra Foco Latino-Americano serão apresentados trabalhos da Argentina, Colômbia, México, Paraguai, Perú e Uruguai, além de uma co-produção entre Chile e Estados Unidos. A produção paraguaia Terra Vermelha, de Ramiro Gómez, premiada no Festival de Cinema de Mar del Plata, retrata as pequenas e grandes batalhas  de quatro famílias camponesas que desenvolvem as tarefas comuns de seu cotidiano.

 

Dedicada a obras de perfil experimental, a seção Horizonte destaca sete filmes, entre eles Das Ruínas a Rexistência, o mais recente trabalho de Carlos Adriano, um dos curadores da Retrospectiva do Documentário Experimental Brasileiro. Trata-se de uma montagem poética de dois filmes realizados nos anos 1960 pelo poeta e pensador Décio Pignatari e que permaneceram inacabados.

 

O festival trará ainda a Retrospectiva Internacional: 10 Documentários Que Mudaram o Mundo, realizada em Londres em  outubro de 2007 pelo British Film Institute, que tem como destaque o vencedor do Oscar e premiado em Cannes, Tiros em Columbine (EUA/Canadá/Alemanha, 2002), do polêmico diretor Michael Moore, no qual ele examina as raízes da violência nos EUA tendo como ponto de partida o massacre de 12 alunos e um professor por dois estudantes, em 1999. A retrospectiva trará ainda um dos grandes clássicos do cinema mundial, O Triunfo da Vontade (Alemanha, 1936), de Leni Riefenstahl, peça de propaganda nazista que retrata a convenção anual do Partido Nacional-Socialista em Nuremberg, em 1934, com imagens que teriam poder hipnótico para dominar corações e mentes do povo alemão no apoio ao regime. E também A Revolução Não Vai Passar na TV (2003), produção Irlandesa dirigida por Kim Bartley e Donnacha O’Briain, sobre o  golpe de Estado, que em 11 de abril de 2002 depôs brevemente o controverso presidente da Venezuela Hugo Chávez, filmado no calor da hora.

 

Os documentários experimentais brasileiros terão seu espaço numa retrospectiva que reunirá 23 títulos produzidos entre 1929 e 2007, entre eles A Velha a Fiar, de Humberto Mauro, baseada numa canção folclórica do interior do Brasil, cuja montagem é considerada precursora do videoclipe.

 

A seção Homenagens fará sua reverência a dois grandes mestres do cinema mundial Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni, falecidos no ano passado. Em O Olhar de Michelangelo (Itália, 2004), que seria seu penúltimo trabalho, o diretor italiano Antonioni justapôs imagens de si mesmo e do mármore Moisés, do escultor Michelangelo Buonarrotti, comparando os danos impostos pela passagem dos anos à escultura com sua própria fragilidade. No curta O Rosto de Karin (1986), Ingmar Bergman dispensa a narração e dedica particular atenção aos retratos de sua mãe, Karin, figura-chave em sua vida e inspiradora de histórias retratadas em seus filmes.

 

Homenagens também abre espaço para a exibição de documentários brasileiros que tiveram cópias recentemente restauradas. O mais famoso deles é Linha de Montagem (Brasil, 1982), de Renato Tapajós, que investiga a gênese do movimento sindical de São Bernardo do Campo entre os anos de 1978 e 1981, quando se produziram as maiores greves de metalúrgicos na região, desafiando a repressão do final da ditadura militar. Movimento esse cujo líder era nosso atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

E finalmente,  a seção Round Midnight apresenta dois trabalhos que abordarão a trajetória do grupo Joy Division e do escritor Wiliam Bourroughs. A Produção dinamarquesa Palavras de Conselho - Na Estrada com William S. Burroughs, de Lars Movin e Steen Moller Rasmussen, foca na figura do escritor beat norte-americano William S. Burroughs e extrai novas nuances a partir das imagens inéditas. Já Joy Division (Inglaterra/EUA), de Grant Gee, reconstitui detalhes fundamentais da trajetória seminal banda, interrompida pelo suicídio do vocalista Ian Curtis, aos 23 anos, em 1980.

 

É Tudo Verdade – 13º Festival Internacional de Documentários, acontece de 26 de março a 6 de abril em São Paulo, de 27 de março a 6 de abril no Rio de Janeiro e de 14 a 20 de abril em Brasília, além de promover extensões em Recife, Bauru (SP) e Caxias do Sul (RS).

 
A programação completa poderá ser conferida no site www.etudoverdade.com.br  

Crítico: Luis Pires - Jornalista e Crítico de Cinema - e-mail: lpires@uol.com.br -blog: www.eliberoquestoposto.zip.net     

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