ENTREVISTA COM O DRAMATURGO GERALD THOMAS

O Editor do Portal Cranik "Ademir Pascale"  entrevista o dramaturgo, Gerald Thomas.
 (21/07/07)

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Gerald Thomas - Foto Divulgação (Arquivo: Gerald Thomas)

Ademir Pascale: Como foi o início de Gerald Thomas no teatro e por que a escolha? 

Gerald Thomas: Não vi alternativas pra mim, depois de ler e devorar a biblioteca do Museu britânico dos 16 aos 22 anos, e ter estudado a historia da arte e ser pintor (a espoca) , mas já ter sido um "intruso" nos ensaios (em São Paulo) do Balcão que o genial Victor Garcia estava montando com um elenco maravilhoso que a Ruth Escobar escolheu... e fiz a mesma coisa em Londres: me intrometi nos ensaios do Peter Brook em Midsummer Night's Dream no Aldwich... e vi que os atores iam com a cara daquele moleque de cabelos enormes (eu tinha 17 anos). 

Ademir Pascale: Como foi seu primeiro encontro com Marco Nanini? O que ele achou da peça "Um Circo de Rins e Fígados" quando leu o roteiro? 

Gerald Thomas: Foi por telefone, eu já havia mandado duas paginas e ele gostou. Falamos um tempão por fone mesmo. Fui escrevendo mais. E ele reagindo otimamente. E a cada dia eu escrevia mais, ate que viraram 20 "partes". Ai fui pro Brasil encontrá-lo e esse encontro com ele e com o Nando (Fernando Libonatti, produtor) foi maravilhoso. Já começamos lá mesmo, na casa dele, a lermos umas partes e deu no que deu! Depois ele mesmo se tornou meu companheiro de cortes. Ninguém como ele pra ser companheiro de palco. Alias, que parceria. Que saudade! De vez em quando eu mando e-mail pra ele dizendo assim: MEU GRANDE ATOR, que enorme saudade! 

Ademir Pascale: Relembrando o episódio, que você já deve estar cansado de ouvir, sobre a repercussão de quando você abaixou as calças para a platéia no Rio de Janeiro. Afinal, o que você sentiu no momento para fazer isso? 

Gerald Thomas: Raiva! Me deram a noticia de que o Haroldo de Campos havia morrido naquela tarde (eu estava dando uma entrevista pro RJ TV e numa pausa comercial, me contaram e eu quase desabei, Era o dia da estréia. Durante os ensaios eu só recebia "comandos" vindos da direção do teatro de que eu não podia fazer isso e aquilo. Sendo que eu havia publicado o meu conceito na INTEGRA numa coluna que eu tinha no JB na época. Eles tinham toda a liberdade do mundo pra me descontratar. Depois do espetáculo, o pessoal que havia comprado meses antes, e que pertence a Richard Wagner Forum (nazistas de primeira) não só me vaiavam como diziam: "judeuzinho volta pro campo" e coisas desse tipo. Quem estava atrás não ouviu porque o publico ovacionava: o Zuenir e Caca Diegues, por exemplo, não entenderam porque fiz aquilo, já que eles sequer ouviram a vaia que só vinha das 2 primeiras filas. Um ano depois - e 12 mil reais depois com habeas corpus pra entrar no BR - fui absolvido em Brasília pelo STF.


Gerald Thomas no Jornal The New York Times

Ademir Pascale: E do recente gesto obsceno para o Presidente Lula? 

Gerald Thomas: Foi em defesa da Varig que essa criminosa TAM (especialmente nesse momento em que te escrevo) o Lula + o Zé Dirceu estavam querendo desmantelar e não querendo indenizar os funcionários. 

Ademir Pascale: Um dia passei no shopping Iguatemi para fazer um lanchinho, e enquanto isso notei que estava lotado, na verdade, transbordando de pessoas boquiabertas assistindo as vitrinas inanimadas das lojas de grife. Cansado da cena, sai do shopping e atravessei a Av. Faria Lima e fui até o Museu da Casa Brasileira. Para meu espanto, havia apenas 3 pessoas lá dentro, eu, a recepcionista e o segurança. Fiquei decepcionado com tal cena e foi apenas mais um dos episódios que me fez criar um projeto de inclusão social, intitulado "Vá ao cinema", destinado a levar pessoas de baixa-renda gratuitamente às salas de exibições. Até agora, desde janeiro de 2005, não consegui patrocinador, banco tudo do meu próprio bolso. Tive uma grande dificuldade para conseguir que o projeto fosse aprovado pelo Ministério da Cultura para captação de recursos pela lei Rouanet, mas, se não fosse por minha força de vontade, se não fosse pelos inúmeros agradecimentos que recebo dos beneficiados, já teria desistido. Você enfrenta ou já enfrentou grandes obstáculos para promover seus espetáculos? O governo lhe incentiva? 

Gerald Thomas: Governo me incentiva? Você deve estar brincando. Esse é o governo que mais atrapalha as artes. Deus me livre. Não me deixe mais triste do que já estou. 

Ademir Pascale: O que o Gerald Thomas sente pelo nosso mundo atual? O que poderia ser melhorado? 

Gerald Thomas: Colocar o Bush em Haia como criminoso de guerra assim como Slobodan Milosovec (recém falecido), acabar de vez com o racismo, e com as diferenças sociais, e colocar Barak Obama e Hilary Clinton na Casa Branca! Ai, dialeticamente, muda tudo. O tal "outsourcing" of America para, termina o crescimento do desemprego e portanto a necessidade de se ter guerra. 


Gerald Thomas com o dramaturgo e escritor irlandês Samuel Beckett (1906 — 1989)

Ademir Pascale: Qual foi a receptividade do público com o espetáculo "Luartrovado"? 

Gerald Thomas: ÓTIMO. Só li coisas boas. E bati meu próprio record: o fiz em três dias e amei trabalhar com a Elke Maravilha e a  Deize Tigrona e o Livio. 

Ademir Pascale: Existem novos projetos em andamento? 

Gerald Thomas: Estréio Terra em Transito e Rainha Mentira em 7 de agosto no SESC Consolação e antes, dias antes, darei um workshop pra atores no mesmo teatro. Pelo mundo, tem outros projetos, mas a lista é enorme e tenho tanto pra escrever.... 

Ademir Pascale: Mais uma vez lhe agradeço pela gentileza da entrevista. Desejo-lhe muiiito sucesso. Um forte abraço. 

Gerald Thomas: Um enorme beijo querido e desculpe a demora. Mas esta esgotado a minha tubulação aqui (tanto eh que explodiu aqui na Lexington com 41, algo ainda muito mal explicado). 

LOVE
Gerald 
www.geraldthomas.com

 
Cartaz do espetáculo Um Circo de Rins e Fígados

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Entrevistado: Gerald Thomas
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